Terça, 29 de Setembro de 2026 08:17
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A semana em que Rondônia vai descobrir se as pesquisas estavam certas — ou se havia uma surpresa escondida nas urnas

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

29/09/2026 07h00 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Redação Fonte: Redação
Foto: Redes Sociais / Inteligência Artificial
Foto: Redes Sociais / Inteligência Artificial

RETA FINAL
Rondônia entra na semana decisiva da eleição para governador cercada por duas certezas absolutamente contraditórias. 

RETA FINAL 2
De um lado, estão os que olham para as pesquisas e juram que o desenho está praticamente definido. 

RETA FINAL 3
Do outro, estão políticos, coordenadores e observadores que garantem, quase de pé junto, que as urnas ainda vão produzir surpresa.

DOMINGO
Daqui a poucos dias saberemos quem estava lendo corretamente o eleitorado — e quem estava apenas confundindo esperança eleitoral com realidade.

PESQUISA
A pesquisa Quaest divulgada no dia 24 colocou Marcos Rogério (PL) com 37%, Adailton Fúria (PSD) com 21%, Hildon Chaves (União) com 9% e Expedito Netto (PT) com 6%. 

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

PESQUISA 2
O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais. O número de registro no T.R.E é RO-08556/2026 e BR-06511/2026.

30 DIAS
Há um detalhe importante: um mês antes, Marcos Rogério aparecia com 24%, Fúria tinha os mesmos 21%, enquanto Hildon e Expedito registravam 10% cada. 

ANÁLISE
Ou seja, a fotografia da Quaest mostra uma mudança expressiva concentrada principalmente no primeiro colocado. É justamente aí que começa a discussão.

SEM ALTERAÇÃO?
A eleição está realmente encaminhada ou ainda existe voto escondido suficiente para bagunçar o cenário?

RETRATO
Pesquisa é fotografia, não urna aberta. E eleição não termina quando o instituto deixa o campo. Termina quando o último voto é contado. Isso não significa desprezar pesquisas — seria estupidez política fazê-lo. 

MUDANÇA
Significa apenas reconhecer que, nesta última semana, ainda existem indecisos, abstenção, voto útil e migração de última hora capazes de alterar percentuais.

DETALHE
Mas surpresa também precisa ter tamanho. Para transformar expectativa em virada, não basta candidato reunir muita gente em caminhada, produzir vídeos movimentados ou ouvir dos próprios apoiadores que “a pesquisa não pegou nosso voto”. 

DETALHE 2
É preciso encontrar centenas de milhares de eleitores onde os institutos não estão encontrando. E há ainda um personagem que tornou essa reta final muito mais interessante: o governador Marcos Rocha.

DETALHE 3
Aqui é preciso separar informação comprovada de conversa de bastidor. Adailton Fúria afirmou publicamente, durante sabatina na SIC TV, que perdeu o apoio de Marcos Rocha e que o governador estaria apoiando outro candidato da Capital — numa referência interpretada politicamente como sendo Hildon Chaves. 

Foto: Reprodução / SIC TV

DETALHE 4
Há também relatos publicados de que secretários teriam sido liberados para apoiar os candidatos que desejassem e de que cargos comissionados do governo foram vistos participando de atos envolvendo Hildon Chaves. 

DETALHE 5
Isso é diferente, porém, de afirmar como fato comprovado que Rocha reuniu secretários e comissionados e determinou uma operação eleitoral em favor de Hildon. 

DETALHE 6
Até aqui, não encontrei comprovação pública suficiente para cravar que essa ordem tenha ocorrido dessa forma. Politicamente, entretanto, alguma coisa mudou. E mudou de maneira bastante curiosa.

PRESIDENTE
Marcos Rocha é governador, mas também presidente estadual do PSD. Adailton Fúria disputa o Governo justamente pelo PSD. 

PRESIDENTE 2
Portanto, qualquer afastamento entre os dois deixa de ser uma simples divergência pessoal e passa a produzir uma situação politicamente incomum: o principal dirigente estadual de um partido distanciado do próprio candidato da legenda ao Governo.

CURIOSIDADE
Se Rocha efetivamente decidiu trabalhar por Hildon — hipótese que precisa ser confirmada por fatos e não apenas pelos cochichos dos corredores — teremos um dos movimentos mais curiosos desta eleição.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

CURIOSIDADE 2
Um governador tentando fortalecer um adversário do candidato de seu próprio partido. E aí surge outra pergunta: por quê?

DÚVIDA
Seria uma tentativa de levar Hildon ao segundo turno? Uma reação política às divergências recentes com Fúria? 

DÚVIDA 2
Uma recomposição de forças pensando no próximo governo? Ou simplesmente uma liberação individual de aliados, sem comando central do Palácio?

AO AGRADO DE TODOS
Hoje há versões para todos os gostos. Prova definitiva para todas elas, não. O fato concreto é que Fúria tornou público o afastamento. 

ALÉM
E, quando um candidato anuncia que perdeu o apoio do governador que preside seu próprio partido, a crise deixa de existir apenas nos bastidores.

MATEMÁTICA
O problema para Hildon é matemático. Se tomarmos a Quaest como referência, ele aparece com 9%, contra 21% de Fúria. 

VIRADA
Portanto, qualquer operação política destinada a colocá-lo na disputa pelo segundo turno precisaria produzir uma mudança muito expressiva em pouquíssimos dias.

VIRADA 2
Impossível? Eleição recomenda cuidado com essa palavra. Mas seria uma alteração de grande dimensão. Hildon já fez isso em 2016, portanto cautela é a melhor palavra.

SENADOR
Do outro lado, Marcos Rogério chega à última semana ocupando posição bastante diferente daquela de agosto. Saiu de 24% para 37% na Quaest, enquanto Fúria permaneceu nos mesmos 21%. 

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

AVALIAÇÃO
Isso também muda o debate sobre o segundo turno. Há quem considere sua realização praticamente certa. 

SONHO
Há também aliados de Marcos Rogério fazendo cálculos com votos válidos e falando até em possibilidade de encerramento no primeiro turno. 

PRUDÊNCIA
Nenhuma dessas duas possibilidades deve ser transformada antecipadamente em resultado eleitoral. A urna resolverá a discussão.

FORÇA
Esta última semana será, portanto, menos sobre discursos e mais sobre capacidade real de transferência de votos.

FORÇA 2
Vamos descobrir se Marcos Rocha ainda possui força suficiente para deslocar votos e estruturas. 

FORÇA 3
Se Hildon consegue transformar apoios políticos em crescimento eleitoral. Se Fúria resiste ao conflito dentro do próprio campo partidário. 

LIDERANÇA
E se Marcos Rogério consegue preservar a vantagem registrada pela pesquisa mais recente.

SUPORTE
Também descobriremos algo ainda mais interessante: quanto vale, em votos, a estrutura política quando faltam poucos dias para a eleição.

FATO
Porque secretário pode mudar de palanque. Comissionado pode participar de ato. Prefeito pode declarar apoio. Deputado pode gravar vídeo. Liderança pode mudar de lado.

FATO 2
O eleitor não vem no pacote. Essa talvez seja a grande pergunta desta semana. Se houver surpresa, ela aparecerá na urna.

FATO 3
Se não houver, ficará demonstrado que boa parte do barulho dos bastidores era apenas isso: barulho.

FATO 4
Rondônia chegou à semana em que as versões acabam. No domingo, quem dará a última palavra não será governador, senador, prefeito, secretário, pesquisa ou articulador político. Será o eleitor.

FRASE
A democracia tem uma ironia poderosa: o cidadão aparentemente comum carrega no voto a capacidade de desmontar estruturas que pareciam eternas.

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