Porto Velho (RO), Uma palestra realizada nesta semana na capital chamou atenção pela forma diferente de falar sobre um tema que costuma gerar polêmica: o garimpo na Amazônia. A especialista em garimpo e vice-presidente da ARDPV, Dra. Tânia Sena, apresentou ao público o que chamou de “o outro lado do garimpo”, mostrando a história, a lei e, principalmente, as pessoas que vivem dessa atividade.
Durante 1h30, Tânia conduziu uma apresentação com fotos históricas, relatos, explicações jurídicas e exemplos reais de trabalhadores que dependem do garimpo para sobreviver.
“O debate virou guerra, e ninguém escuta o garimpeiro”
Logo no início, ressaltou que o tema é quase sempre tratado de forma superficial.
“Quando falam de garimpo, falam só em destruição. Mas ninguém pergunta quem são essas pessoas, como vivem, qual é a história delas. Existe um lado humano que está sendo apagado”, afirmou.
Ela explicou que, em Rondônia, garimpeiros fizeram parte da formação de vários distritos e comunidades. Fotos antigas mostraram trabalhadores no Rio Madeira, Mutum-Paraná e outras regiões.
Garimpo é atividade legal e prevista em lei, diz palestrante

Um dos pontos que mais chamou a atenção do público foi quando Tânia explicou que o garimpo não é uma atividade proibida, como muitos imaginam.
Segundo ela, a Constituição Federal, o Código de Mineração e a Lei 7.805/1989 garantem que o garimpo pode ser exercido dentro da lei.
“Existe garimpo realizado sem licença, o que não defendemos, mas também existe garimpo legalizado, com regras, fiscalização, licenciamento e responsabilidade ambiental. O que falta é informação”, explicou.
Ela destacou ainda a importância das cooperativas, que organizam os trabalhadores, distribuem áreas, orientam tecnicamente e facilitam o cumprimento das normas ambientais.
Meio ambiente e responsabilidade: tecnologia para reduzir impactos
Tânia também falou sobre as questões ambientais e esclareceu que a atividade é sustentada e existem tecnologias para evitar danos:
uso de retorta/cadinho
licenciamento ambiental, com regras a serem cumpridas, incluindo relatórios de monitoramento e análise de água e sedimentos
O garimpeiro real: famílias, esforço e sobrevivência
A parte mais forte da palestra foi a especialista mostrou a realidade do trabalho, a geração de emprego e renda e os impostos arrecadados. Tudo isso com trabalho sem dano.

A realidade do garimpo é diferente do que se divulga na grande mídia em tudo, especialmente no que diz respeito a supostos crimes ambientais.
“São pessoas que acordam cedo, enfrentam chuva, sol. É fácil julgar, difícil é viver a vida que eles vivem. São trabalhadores, não criminosos”, disse.
O público acompanhou relatos sobre a rotina de quem trabalha nos rios.
Desafio do Estado: fiscalizar sem perseguir
Tânia também comentou a necessidade de o poder público atuar de forma técnica e contínua, evitando ações arbitrárias.
Enfatizou que “em nome de proteger o meio ambiente os agentes não podem destruir o meio ambiente com destruição e queima de equipamentos que causa grande contaminação
“O garimpo faz parte da história, ele não vai acabar, a única solução possível é uma força tarefa par organizar o que falta é fiscalizar da forma correta”.
Ela criticou normas recentes da Agência Nacional de Mineração (ANM) que, segundo ela, criam insegurança jurídica, especialmente para cooperativas.
Palestra encerra com apelo por diálogo e soluções reais
Ao fim da apresentação, Tânia Sena reforçou que o garimpo é um tema complexo, que envolve meio ambiente, economia e vidas humanas.
“O que eu estou defendendo aqui não é o garimpo a qualquer custo. É o garimpo responsável, legal, que respeita o meio ambiente e protege quem trabalha. Rondônia tem a chance de ser referência nisso”, finalizou.
O evento reuniu estudantes, trabalhadores, representantes de entidades e lideranças comunitárias interessadas em entender melhor uma atividade que faz parte da história e do presente da Amazônia.
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