Quinta, 24 de Setembro de 2026 04:49
1153045355
Rondônia SAÚDE

Cigarro eletrônico ajuda no envelhecimento da pele, indicam dermatologistas

Nome do estado é chamado de “vape face” pelos especialistas; aumento de flacidez, rugas e manchas está entre as consequências sofridas por quem tem o hábito de fumar com esses dispositivos

24/03/2025 14h00
Por: Redação
Foto: Blog.sabin.com.br
Foto: Blog.sabin.com.br

Os impactos do cigarro eletrônico vão além da saúde interna: a aparência também pode ser afetada significativamente por esse hábito. O uso contínuo do dispositivo pode comprometer a saúde da pele, resultando em danos visíveis tanto a curto quanto a longo prazo. 

O problema é tão relevante que recebeu até um nome próprio: “vape face”, ou “rosto de vape”, em tradução livre. Diante dessa preocupação, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu um alerta sobre o tema.  

O mecanismo por trás desses danos é semelhante ao do cigarro convencional. “Após o fumo, acontece uma vasoconstrição de até uma hora, fazendo com que menos oxigênio chegue aos tecidos, diminuindo a atividade celular e resultando no envelhecimento” , explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica. 

“Isso também prejudica o processo de regeneração da pele e faz com que ela fique opaca, amarelada e desidratada” , acrescenta a dermatologista Claudia Marçal, membro da SBD e da Academia Americana de Dermatologia.  

Embora os danos provocados pelo cigarro tradicional e pelo eletrônico sejam similares, os vapes representam um risco ainda maior devido à alta concentração de nicotina, um dos principais vilões para a pele. 

“Sem falar que, como não são legalizados no Brasil, não há fiscalização e, por isso, não sabemos exatamente sua composição, o que coloca o corpo todo, inclusive a pele, em um risco muito maior”, alerta Beatriz Lassance.  

Uma pesquisa divulgada em novembro de 2024 pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e o Laboratório de Toxicologia da Rede Premium de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Medicina da USP, revelou níveis alarmantes de nicotina no organismo de usuários frequentes de cigarros eletrônicos. 

Em alguns casos, os índices foram até seis vezes superiores ao encontrado em fumantes de 20 cigarros convencionais por dia (média de 400 ng/ml). O mesmo estudo mostrou que, enquanto um fumante tradicional costuma dar cerca de 200 tragadas diárias, os adeptos do cigarro eletrônico podem ultrapassar 1.500 tragadas por dia.  

Foto: Renz-Macorol

Danos

As substâncias presentes tanto no cigarro convencional quanto no eletrônico, especialmente a nicotina, reduzem a produção de colágeno e elastina, fibras essenciais para a sustentação da pele. Como resultado, a pele perde firmeza, tornando-se mais flácida e propensa a rugas. 

Além disso, os movimentos repetitivos do rosto ao fumar contribuem para a formação de marcas de expressão, como sulcos ao redor da boca e sob o nariz.  

O uso do vape também intensifica a produção de radicais livres, acelerando o envelhecimento da pele e de outros órgãos. “Tudo isso ainda diminui a espessura da pele; leva ao envelhecimento da pálpebra inferior, favorecendo a formação de bolsas; desencadeia uma tendência à hiperpigmentação, aumentando o risco do surgimento de manchas e piora das já existentes” , destaca a dermatologista Barbara Miguel, do Hospital Israelita Albert Einstein.  

Outro efeito negativo é a piora da cicatrização. “O que temos visto nos consultórios e nos congressos é a maior incidência de complicações cirúrgicas em pacientes usuários de vape pelos problemas de cicatrização provocados pela diminuição da oxigenação de tecidos e do aumento da inflamação”, explica Lassance, que também integra o Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida, nos Estados Unidos, e o Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.  

Além disso, fumar pode agravar doenças autoimunes, alérgicas e inflamatórias, piorando condições como acne, rosácea e psoríase. 

“Ele ainda aumenta a possibilidade do aparecimento de carcinoma espinocelular, um tipo de câncer de pele”, alerta Marçal. O impacto se estende aos cabelos, que tendem a afinar e cair mais facilmente, e às unhas, que podem ficar amareladas e quebradiças.  

Muitos especialistas acreditam que os danos causados pelo cigarro são ainda mais prejudiciais à pele do que a exposição ao sol. Isso porque as substâncias tóxicas do cigarro circulam por todo o organismo e afetam todas as estruturas da pele, enquanto os raios ultravioletas agem superficialmente e por períodos limitados.  

A única maneira de evitar esses efeitos nocivos é abandonar o hábito de fumar. “Embora existam tratamentos estéticos que possam melhorar a aparência da pele, nenhum é capaz de neutralizar completamente os efeitos do cigarro ou do vape” , conclui Barbara Miguel, do Einstein.  

Com informações de Thais Szegö, da Agência Einstein.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários