Quinta, 24 de Setembro de 2026 11:26
1153045355
Coluna Espaço Aberto ESPAÇO ABERTO

Os avanços da inteligência artificial que vão além da substituição de mão de obra especializada

Confira as notas do dia, por Cícero Moura.

18/04/2023 06h09 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Redação
Reprodução/Internet
Reprodução/Internet

HISTÓRIA

Quando o então quase desconhecido James Cameron criou o filme O Exterminador do Futuro (1983), pouca gente acreditava que a maluquice poderia ter algum fundamento. Afinal, quem em sã consciência se interessaria por um robô do futuro obcecado em eliminar a raça humana.

ENREDO

Na obra,  um ciborgue (androide cujo esqueleto é recoberto por tecido vivo) com inteligência artificial, é transportado no tempo, de 2029 até o dia 12 de maio de 1984, com o objetivo de alterar o curso da História e consequentemente, o futuro.

SUCESSO

O filme virou clássico da ficção científica e teve recorde de público. Orçado em 6 milhões e meio de dólares, arrecadou – em apenas duas semanas –  78 milhões de dólares e projetou a carreira de James Cameron, lhe consagrando como um dos mais importantes diretores de cinema.

ROTEIRO

Em 2029 uma inteligência artificial chamada Skynet será criada para toda a rede de defesa americana, porém sairá de controle e irá considerar todos os humanos uma ameaça, então irá roubar todos os códigos de lançamento de todas as bombas nucleares dos Estados Unidos e lançá-las contra alvos russos, provocando uma guerra nuclear.

ROTEIRO 2

Os sobreviventes serão cercados pelos CAs (caçadores assassinos) e serão enviados para campos de extermínio. À beira da extinção, um homem chamado John Connor irá liderar os humanos num levante contra as máquinas. Ensinando formas de enganá-las, John vai levar os humanos para uma vantagem.

ROTEIRO 3

Prestes a ser destruída, a Skynet irá enviar um ciborgue para matar Sarah Connor, mãe de John, antes mesmo dele nascer. A resistência descobre o plano da Skynet e manda um militar ao ano de 1984 para proteger Sarah mesmo sabendo que o complexo será destruído, e ele e o exterminador ficarão presos no passado para sempre. O resto da história todos já conhecem.

DIAS ATUAIS

A referência ao filme Exterminador do Futuro é para analisar a realidade presente das Inteligências artificiais (IAS),  capazes de gerar imagens impressionantes, indiscerníveis de fotos reais - a montagem do Papa Francisco de jaqueta é um exemplo.

VIRALIZOU

O papa estiloso foi criado com o Midjourney, um app que cria imagens a partir de inteligência artificial. E foi publicada em um fórum digital recheado de montagens feitas por IAs. O post logo se espalhou pelas redes sociais.

CRESCENDO

Softwares do tipo funcionam a partir de um princípio conhecido como machine learning ("aprendizado de máquina"), cuja premissa é o aperfeiçoamento constante. Os programas (Midjourney, Dall-E, Staple Diffusion, entre outros) recebem incontáveis imagens de todos os cantos da internet, associadas a uma descrição em texto do que elas são.

TÍTULO

A foto de uma Sucuri vai ter a legenda “Sucuri”, simples assim. As IAs então, traduzem essas informações para conjuntos numéricos, e "entendem" que aquilo é a representação visual do animal.

PROCURA

A partir daí, elas estão prontas para receber pedidos. Quando você escreve "Sucuri" para o Dall-E, por exemplo, ele vai buscar no seu banco de dados o conceito de “Sucuri” - várias imagens da Selva Amazônica, com o animal rastejando ou tomando sol à beira de um rio. O robô, então, se prepara para um processo chamado de "difusão".

MONTAGEM

Nesse processo, é como se ela jogasse várias peças de quebra-cabeça aleatórias em uma mesa e fosse, aos poucos, organizando o caos na imagem requisitada. No caso, as peças são pixels que, depois do comando, vão se alinhando para tentar se aproximar do pedido.

EXEMPLO

Essa imagem foi criada usando o texto: "um elefante cor-de-rosa usando óculos enquanto lê o jornal em uma cafeteria." (Dall-E/Superinteressante).

INFINITAS

As imagens criadas não se limitam aos animais, claro. Elas podem gerar coisas fora do comum e até copiar o estilo de outros artistas. Como as IAs são treinadas com muitas imagens, incluindo obras de pintores famosos como Van Gogh, Monet e Picasso, o robô consegue replicar estilos, caso o comando do usuário assim desejar.

TARSILA

A imagem em destaque mostra uma demanda solicitada ao Midjourney. Foi pedido para que se criasse um gato com o mesmo traço de Tarsila do Amaral. Ficou perfeito.

PLÁGIO

Apesar da perfeição do trabalho da IA, os artistas justificadamente não consentem com esse uso. É inadmissível um profissional passar anos aprimorando e desenvolvendo em estilo próprio, ser substituído por uma máquina que entrega algo similar a partir de algumas poucas palavras.

JUSTIÇA

Na Justiça americana já existem processos onde artistas acusam a empresa Stability Al, do Stable Diffusion, de treinar seu algoritmo com fotos e ilustrações que não a pertencem. Por conta disso, muitos profissionais têm receio de colocar suas peças nas redes, já que elas podem acabar alimentando o banco de dados das IAS.

Ji-Paraná: venda presencial no Esporte Clube Vera Cruz (Rua Dois de Abril, nº 1345, bairro Urupá). - ADQUIRA AQUI

Porto Velho: venda presencial na Loja TACO, no Porto Velho Shopping. - ADQUIRA AQUI

LUDIBRIAR

Apesar dos avanços da ciência, não existe nada ainda que substitua a capacidade cognitiva humana. No entanto, pesquisadores da Universidade de Chicago, nos EUA, criaram uma ferramenta chamada Glaze para proteger arte digital - e que pode dificultar a tarefa das IAs em imitar estilos. Durante o desenvolvimento do programa, mais de 1,1 mil artistas avaliaram a eficácia em diferentes cenários.

FUNCIONAMENTO

O programa analisa a  arte e adiciona pequenas mudanças (pequenas mesmo, a nível de pixel) para criar uma "arte camuflada". Os olhos humanos não conseguem perceber as sutilezas - mas as máquinas, sim. É diferente de uma marca d'água, por exemplo.

MISTURA TUDO

Ao descobrir como as IAs traduzem o "estilo artístico" em conjuntos numéricos, o Glaze embaralha tudo com a chamada "camuflagem de estilo" - ela instrui o robô gerador de imagens a buscar outros estilos - e, assim, preserva o original.

TRAPAÇA

É inegável que a tecnologia de inteligência artificial  está impressionando pessoas em todo o mundo, o problema é que ela também pode ser usada por golpistas. Segundo o site  New York Post, um professor norte-americano denunciou que alunos estão usando a IA para produzir trabalhos universitários.

TCC

Em um trabalho de conclusão de curso, um professor assistente de filosofia da Universidade de Furman (Estados Unidos), percebeu que tinha aluno usando uma plataforma de IA ao solicitar aos alunos um texto de 500 palavras sobre o filósofo David Hume.

TCC 2

Em uma das apresentações havia sinais de uso da plataforma, pois o texto apresentava palavras muito peculiares para um estudante comum. “É um estilo limpo. Mas é reconhecível. Eu diria que escreve como um aluno muito inteligente do 12º ano”, afirmou o professor.

TCC 3

O professor destacou ainda que existem palavras estranhas específicas usadas que não estavam erradas, apenas peculiare. “ se você estivesse ensinando alguém a escrever uma redação, é assim que você diz a ela para escrevê-la antes que ela descubra seu próprio estilo”, disse o professor.

OPINIÃO

Os temas pontuados na coluna de hoje são apenas alguns exemplos do uso da IA, que já vem servindo para substituir mão de obra humana. Independente dos avanços que ocorrem continuamente, a inteligência humana é única e sempre estará acima da máquina. Desconheço alguém que liga para um banco, por exemplo, é atendido por robô e fica satisfeito.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários