Uma campanha eleitoral deve suportar críticas, cobranças e debates duros. O que não pode admitir é que alguém seja agredido por estar na rua pedindo votos. A liberdade de escolher um candidato precisa vir acompanhada da liberdade de defender essa escolha sem medo.
O relato divulgado pela candidata a deputada federal Sofia Andrade (PL) exige atenção. Segundo a versão apresentada, Pedro e Brenda, integrantes de sua equipe, estavam em um semáforo de Porto Velho com bandeiras de campanha quando foram abordados por um homem. Durante a discussão, Brenda teria sido agredida.
Conforme o material divulgado, o casal registrou ocorrência e o caso foi levado à Central de Flagrantes. Também foram informadas providências para a realização de exame de corpo de delito. Cabe às autoridades esclarecer a sequência dos acontecimentos, ouvir os envolvidos e reunir as provas. O relato da campanha precisa ser apurado, e a responsabilidade individual não pode ser definida por versões nas redes sociais.
Essa cautela, porém, não enfraquece a condenação à violência. Nenhuma divergência eleitoral autoriza uma agressão. Ninguém precisa gostar de Sofia Andrade, concordar com o PL ou aceitar um pedido de voto. Pode recusar, questionar e criticar. A discordância não concede licença para intimidar ou ferir.
Se confirmada, a agressão a Brenda revela uma degradação que precisa ser enfrentada: a transformação de quem pensa diferente em alguém que merece ser hostilizado. Uma pessoa segurando uma bandeira continua sendo uma pessoa, com dignidade e direito à integridade física. Sua preferência eleitoral não reduz esses direitos.
Também é necessário cobrar coerência das lideranças políticas. Condenar a violência apenas quando ela atinge a própria campanha é conveniência. O repúdio precisa ter a mesma força quando a vítima trabalha para um adversário. Quem pretende representar a população deve demonstrar que respeita inclusive a liberdade de quem não lhe dará o voto.
Candidatos e dirigentes têm responsabilidade pelo ambiente que ajudam a construir. Críticas firmes fazem parte da disputa. Humilhações, ameaças e discursos que estimulam a perseguição alimentam um clima perigoso. Não há, no relato apresentado, elementos para atribuir o episódio a outra candidatura ou a uma ação organizada. Seria irresponsável preencher essa lacuna com suspeitas. Há, entretanto, motivo suficiente para exigir de todos uma posição inequívoca contra a violência.
A apuração deve avançar com seriedade, sem minimizar a denúncia e sem antecipar condenações. Se a agressão for comprovada, seu autor deve responder pelo que fez. A eleição não pode servir de desculpa para a impunidade.
Porto Velho precisa preservar o direito de fazer campanha nas ruas, conversar com eleitores e defender propostas. Quando o medo passa a limitar essa participação, o prejuízo ultrapassa uma candidatura: atinge a liberdade política de toda a sociedade.
Uma eleição mede a força dos votos. Quando alguém tenta impor a força dos punhos, agride o próprio direito de escolher.
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