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Saúde em perigo, de novo. Pacientes de Rondônia são diagnosticados com doença febril descoberta nos anos 60

Confira as notas do dia, por Cícero Moura.

20/03/2023 06h15
Por: Redação
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HISTÓRICO

Para entender o que está ocorrendo é preciso antes divulgar casos oficiais registrados na Colômbia, onde 16% dos casos de febre foram causados pelo Oropouche, um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento, sendo possível causar um sério problema de saúde pública.

 
HISTÓRICO 2

A confirmação aconteceu após divulgação do artigo intitulado “Oropouche virus as an emerging cause of acute febrile illness in Colombia”, publicado em 2022, e desenvolvido em colaboração entre o One-Health Genomics Laboratory da Universidade Nacional da Colômbia e o Abbott Pandemic Defense Coalition e Global Health Institute da Universidade de Wisconsin (Madison, Estados Unidos).
 

HISTÓRICO 3

O estudo revelou a presença do vírus Oropouche em várias cidades colombianas. A amostra foi composta por 2.967 pacientes da Colômbia, incluindo Cúcuta, Cali, Villavicencio e Letícia, que apresentavam doenças febris sem causa infecciosa identificada.

PROGRAMAÇÃO
 
A soroprevalência do vírus Oropouche foi de pelo menos 16%. A descoberta traça um roteiro para prevenir e abordar futuros problemas de saúde pública no país.

CAUSAS E FATORES
 
Jorge Osorio, professor de virologia e também diretor do Institute for Global Health na Universidade de Wisconsin, um dos autores do artigo, explica que a pesquisa explorou a etiologia da doença febril aguda, já que o Oropouche não estava sendo testado em pacientes febris clínicos.
 

OUTRAS DOENÇAS
 
Ainda segundo ele, a suspeita, na maioria dos pacientes testados, era para malária, dengue ou outras arboviroses como chikungunya ou zika. A surpresa aconteceu quando as amostras foram negativas para esses patógenos.

MAIS TESTES

Diante disso foram feitos outros testes usando abordagens moleculares para a descoberta de outros patógenos onde acabaram sendo encontradas sequências inicialmente de Oropouche em algumas delas.

NEGATIVADOS

Os testes adicionais nas amostras detectaram que o Oropouche estava significativamente presente na maioria dos pacientes negativos de malária,dengue, chicungunha e zika. Outro fato que chamou a atenção da equipe foi que os anticorpos para o vírus Oropouche foram encontrados nas quatro cidades incluídas no estudo (Cúcuta, Cali, Villavicencio e Letícia), indicando que o Oropouche é amplamente disseminado.

PONTUAL

De grande importância, foi a detecção em Leticia, cidade mais austral da Colômbia e capital do departamento de Amazonas, local onde foi encontrado número significativo de pacientes febris infectados com Oropouche.

PARECIDO

O Oropouche está presente em muitos locais na América do Sul, o problema é que normalmente não é testado. Além disso, os pacientes que estão infectados apresentam sinais clínicos que são muito comuns em uma doença febril, como por exemplo, erupção cutânea e dor de cabeça.
 
SEM SUSPEITAS

Por isso, a maioria dos médicos não suspeita de Oropouche, cujos sintomas são muito parecidos com os da dengue. De acordo com Jorge Osório, a dengue se destaca entre todas as arboviroses como a número um, mas há dados que sugerem que a Oropouche pode ser a segunda mais importante.
 
 
PERIGO

Questionado se a Colômbia pode ser a origem de uma doença com potencial de se tornar uma epidemia ou pandemia no futuro, o professor lembra que Colômbia, Brasil e outros países da região Amazônica são considerados pontos quentes para doenças zoonóticas e transmitidas por vetores.

PERIGO 2

Osório destaca que é  possível que, no futuro, novas doenças emergentes possam surgir de algumas dessas regiões da Amazônia. É preciso estar muito vigilante para evitar uma situação semelhante ao que aconteceu com o Zika que teve início no Brasil e depois se expandiu para a Colômbia, onde o impacto foi bastante significativo, assinala.

PORTO VELHO

Na semana passada foram confirmados pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia – LACEN, 03 casos de infecção por Vírus Oropouche - OROV de pacientes atendidos na unidade de Pronto Atendimento da Zona Sul – UPA SUL.

 
INFANTIL
 
Um dos pacientes por se tratar de criança foi encaminhado para o Hospital Infantil Cosme e Damião – HICD. Estes seriam os primeiros casos confirmados desta arbovirose no município de Porto Velho neste ano.

PERFIL

Os  3 pacientes são do sexo masculino - 02 adultos e 01 criança- Os adultos com idade de 65 e 43 anos e a criança com 5 anos.
 
SINTOMAS

A Doença Oropouche tem um período de incubação de 4 a 8 dias, geralmente se apresenta como uma doença febril autolimitada que é clinicamente indistinguível de outras infecções por arbovírus com uma variedade de sintomas inespecíficos, incluindo cefaleia, artralgia, mialgia, erupção cutânea, diarreia, calafrios, tonturas, sensação de queimação no corpo, fotofobia, náuseas e vômitos.
 
UMA SEMANA

O curso clínico geralmente se resolve dentro de 7 dias, mas em algumas circunstâncias pode progredir para meningite ou encefalite.  O Vírus Oropouche (OROV) perde apenas para a dengue como uma das principais causas de doença febril viral aguda na região amazônica.
 

REGISTRO

O Vírus OROV foi visto clinicamente pela primeira vez no Brasil em 1961, em uma epidemia em Belém,  que envolveu cerca de 11.000 pessoas. A doença continua a ocorrer na região amazônica do Brasil e do Peru.

TRANSMISSORES

A transmissão do OROV ocorre no ciclo urbano pela picada de pequenos mosquitos, Culicoides paraensis, conhecidos vulgarmente no Brasil como “maruins, mosquitinhos pólvora, borrachudo e mosquitinhos de mangue”.


CURIOSIDADE

Um detalhe curioso é que o Aedes, transmissor da dengue, zika e chikungunya, aparentemente não transmite o Oropouche. O diagnóstico clínico da febre OROV é difícil porque a doença está se manifestando com sintomas semelhantes a outras infecções que estão circulando nas áreas endêmicas, como dengue, chikungunya, zika, febre amarela e malária.

 
POUCO EFEITO

Os exames laboratoriais de sangue de rotina não são particularmente úteis, enquanto a leucopenia ocasionalmente relatada e os níveis levemente elevados de transaminases hepáticas 8 não são específicos para a infecção por OROV.

TRATAMENTO

Atualmente não existe tratamento específico pra o vírus da febre Oropouche, sendo focado apenas no alívio dos sintomas durante o período de manifestação do quadro. Geralmente, o prognóstico para a febre OROV é bom e nenhuma morte foi relatada desde o primeiro surto em 1960.
 


CUIDADO

O ideal é durante os sintomas não tomar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que contenham a substância associada. Acredita-se que não haja problema direto da febre OROV com essa substância, no entanto, até que o quadro seja confirmado, sempre existe a possibilidade de ser dengue, e nesse caso pode aumentar o risco de sangramentos.

PREVENÇÃO

As medidas de controle dos vetores dependem da redução das populações de mosquitos através da erradicação dos locais de reprodução.  As medidas de proteção individual baseiam-se na utilização de redes mosquiteiras, repelentes de insetos ou produtos para matar mosquitos e loções, sendo que estas podem provocar alergias ou reações dermatológicas.
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