FERVENDO
A noite de ontem não foi apenas mais um episódio da rotina política de Rondônia. A exoneração de mais de 25 cargos ligados diretamente ao vice-governador Sérgio Gonçalves escancarou uma crise que já vinha sendo percebida nos bastidores, mas que agora ganha contornos públicos, duros e difíceis de ignorar.
Quando um vice-governador perde, de uma só vez, parte significativa de sua estrutura política e administrativa, não se trata de simples ajuste interno. Trata-se de um recado político, e dos mais ruidosos: a relação entre o vice e o governador Marcos Rocha, que já andava estremecida, parece ter entrado definitivamente em uma fase de desgaste profundo.
A leitura é inevitável.
Se antes havia ruídos, agora há sinais claros de rompimento silencioso.
ELEIÇÕES
Mais grave ainda é o impacto desse movimento sobre o tabuleiro de 2026. A demissão de nomes considerados de confiança do grupo do vice não apenas enfraquece Sérgio Gonçalves politicamente, como lança uma nuvem de incertezas sobre diversos pré-candidatos que orbitavam essa estrutura de poder. Em política, estrutura é oxigênio. Sem ela, até projetos sólidos começam a sufocar.
E o efeito dominó é previsível: grupos políticos que se preparavam para o próximo pleito agora se veem diante de um cenário instável, inseguro e imprevisível. A sensação no ar é de que haverá prejuízo político significativo, não apenas para indivíduos, mas para alianças inteiras.
DINHEIRAMA
O mais paradoxal — e preocupante — é que tudo isso ocorre às vésperas de uma disputa eleitoral que promete movimentar orçamentos milionários. Recursos que, em vez de fortalecer campanhas e consolidar projetos, podem acabar sendo consumidos por conflitos internos, disputas de poder e desorganização estratégica. Dinheiro, quando mal conduzido, não constrói campanha; apenas amplia o estrago.
O episódio desta semana deixa uma mensagem dura:
o governo, que deveria transmitir estabilidade, coesão e comando, passa agora a exibir rachaduras visíveis, capazes de comprometer não apenas o presente, mas o futuro político de muitos atores envolvidos.
Em política, crises raramente surgem do nada. Elas apenas vêm à tona quando já se tornaram grandes demais para continuar escondidas.
E a demissão em massa no gabinete do vice-governador é exatamente isso: a crise que deixou de sussurrar nos corredores e passou a falar alto para todo o estado ouvir.
2026 se aproxima.
Mas, pelo que se vê agora, nem todos chegarão lá politicamente inteiros.
CÍCERO MOURA
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