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Reforma tributária não pode ser contextualizada tendo polarização como pano de fundo

Confira as notas do dia, por Cícero Moura.

13/11/2023 06h39
Por: Redação
Waldemir Barreto/Agência Senado
Waldemir Barreto/Agência Senado

REMA TV

Eu costumo dizer no programa News 5.1, REMA TV, que vai ao ar de segunda a sexta no horário de 21 horas, no canal aberto 5.1 e também pelo Youtube, que não se pode deixar levar por “lacração” quando o assunto é política.

RETÓRICAS

Os debatedores, que costumam defender pautas de Direita e de Esquerda, às vezes extrapolam os limites da razoabilidade, ao deixar a paixão tomar conta quando são instigados a defender Lula ou Bolsonaro.

Reprodução/Rema TV

LUCIDEZ

No assunto economia, é perfeitamente normal que bolsonaristas questionem as ações do ministro Fernando Hadad, ao mesmo tempo que, do outro lado, lulistas defendam que a política econômica de Lula esteja no caminho certo.

REALIDADE

Impossível  nesse momento – menos de um ano de gestão  petista – apontar que esse ou àquele caminho na economia são os mais corretos. No entanto, a reforma tributária é fato e, aparentemente, vai ser “parida” após mais de 30 anos só de balela. Vamos ao que está no noticiário.

Arte: Ilustração

SIMPLIFICAÇÃO

A reforma tributária aprovada na Câmara dos Deputados tem como objetivo simplificar e modernizar a tributação sobre o consumo no Brasil por meio da substituição de cinco impostos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por dois Impostos de Valor Agregado (IBS e CBS) e um Imposto Seletivo.

NINGUÉM ESCAPA

Sendo assim, a reforma vai afetar diretamente a vida dos contribuintes que consomem produtos e serviços em todo o país.

Getty Images/iStockphoto

DIVERSIFICAÇÃO

O novo sistema tributário terá impactos variados conforme o setor da economia, já que o texto da proposta de emenda à Constituição (PEC) 45/2019 garante que determinados setores terão isenção dos tributos, enquanto outros terão alíquotas especiais, com redução de até 60%.

CESTA BÁSICA

O relator da PEC na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), zerou a alíquota de tributos para produtos da cesta básica nacional, ou seja, serão livres de CBS e IBS. A lista de itens que farão parte da cesta será definida posteriormente por lei complementar.

Divulgação

 

ARGUMENTO

A isenção foi implementada porque o texto da reforma foi alvo de críticas após a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estimar um aumento de aproximadamente  60% dos tributos que incidem sobre a cesta básica com a redação anterior da proposta, que reduzia em 50% a alíquota.

POSITIVO

Para muitos economistas e advogados tributaristas, o impacto da reforma tributária sobre a cesta básica e os alimentos no geral serão positivos.

COMIDA

Se  formos olhar especificamente para alimentos, tem a proposta da cesta básica nacional que pode chegar até a uma alíquota zero e mesmo os itens que não são de cesta básica, os estudos mostram que existe uma mudança bem marginal na alíquota e alguns itens acabam por ficar com uma carga final até mais barata do que se propõe  hoje.

PONTUALIDADE

O  texto da PEC também traz possíveis isenções para alguns alimentos in natura. Seria um regime diferenciado para hortícolas, frutas e ovos. Esses  produtos não estariam dentro da cesta básica, mas já estariam dentro de outro pacote em que poderão ter alíquota zero.

Gabriel Monteiro / Agência O Globo / Arquivo

POSSIBILIDADE

Os especialistas afirmam que as medidas deverão baratear os produtos da cesta básica, mas o cálculo sobre o impacto final só poderá ser feito quando a PEC entrar em vigor.

REMÉDIOS

A proposta prevê um regime diferenciado para saúde e medicamentos. A alíquota será reduzida em 60% para remédios e produtos de cuidados básicos à saúde menstrual. Já medicamentos usados para o tratamento de doenças graves, como câncer, terão alíquota zerada.

Aleksandar Malivuk

PROTEÇÃO

O advogado Guilherme Manier, com mestrado em Direito Tributário e Contabilidade, afirma que os remédios não devem sofrer grandes impactos. “Acredito que os medicamentos não serão largamente onerados, porque a parte de saúde tem a previsão de proteção e regime especial na proposta de emenda à constituição”, diz.

VAIDADE

O preço dos cosméticos também pode sofrer mudanças com a reforma tributária. Esses produtos são sujeitos ao IPI e, como esse imposto será extinto, é possível que haja redução de alíquota.

SERVIÇOS

Já em relação aos serviços, a reforma tributária poderá torná-los mais caros. Isso porque o setor, sem cadeia produtiva longa, se beneficiará menos de créditos tributários.

INDEFINIÇÃO

O texto da reforma não define uma alíquota para os IVAs, mas há expectativa de que fique em torno de 25%.

MAIS DE 50%

Porém, os serviços de educação, saúde, transporte coletivo, produção cultural,  produção jornalística, audiovisual e desportiva, de segurança da informação e de segurança nacional serão beneficiados com uma redução de 60% na alíquota.

Chapinha

PREJUDICADOS

Quem mais deverá sofrer com as novas alíquotas são as pessoas físicas que não tem como se beneficiar de créditos tributários. A pessoa física não toma crédito e não usa crédito. Para elas, no particular dos serviços, tudo vai aumentar muito.

EXEMPLOS

O dentista, o médico, o fisioterapeuta, o arquiteto, o advogado, todos tendem a aumentar. Esses profissionais vão começar a passar uma carga que tende a sair do nosso controle, dificultando para os próprios prestadores de serviço também.

EXEMPLOS 2

Um exemplo é a contratação de um arquiteto por R$ 40 mil que, com a alíquota de 25% sobre o serviço, deverá custar o total de R$ 50 mil para o cliente pessoa física.

OBSERVAÇÃO

No entanto, como a reforma mantém o Simples Nacional o impacto não será tão grande para os contribuintes. Hoje podemos dizer que 70% dos prestadores de serviço estão dentro do Simples Nacional, a reforma tributária não mexe com o regime do simples nacional.

APLICATIVOS DE TRANSPORTES E ENTREGAS

De acordo com os tributaristas, os serviços de transporte e entrega por aplicativo terão um aumento de carga tributária e consequentemente um aumento no preço para o consumidor final.

Divulgação

UNIFICADO

Uber, 99 táxi, iFood, tendem a ficar mais caros. Até porque, em larga escala, os serviços e as atuações de tecnologia ainda passam ao largo do Fisco e os economistas acham que no final do dia todo mundo vai ser tratado como uma coisa só. É faturamento que vai ser tributado a 25%”,avaliam.

COMPENSAÇÃO

É uma proposta de emenda à Constituição que pretende afastar as exceções, reduzir o número de incentivos e que prevê cashback para pessoas de baixa renda. Então, é bem provável que num primeiro momento o consumidor sinta um aumento de carga tributária, mas que isso seja ajustado via sistema de cashback.

AJUSTE

Para os economistas, há a possibilidade de que as empresas ajustem o seu custo, sua carga tributária e seu preço a sistemática de não cumulatividade, reduzindo consequentemente a carga tributária para o consumidor.

TRANSPARÊNCIA NA COBRANÇA DE IMPOSTOS

Após a implementação da PEC, os contribuintes irão saber exatamente quanto pagam de imposto ao adquirirem bens e serviços, o que atualmente não ocorre devido à cobrança dos tributos “por dentro”.

DESCONHECIMENTO

A verdade é que hoje ninguém sabe quanto de fato tem de carga tributária sobre os produtos que a gente consome. Com a reforma, a tributação vai ficar mais visível para os contribuintes.

VALIDADE

Com a aprovação e promulgação da PEC, se iniciará a fase de transição gradual dos tributos. O novo modelo começa a ser implementado a partir de 2026, e deve estar plenamente em vigor em 2033.

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