Quinta, 24 de Setembro de 2026 09:48
1153045355
Coluna Espaço Aberto ESPAÇO ABERTO

Violência contra a mulher aumenta e cenário só deve piorar se não houver políticas públicas consistentes e punições rígidas

Confira as notas do dia, por Cícero Moura.

02/08/2023 06h37 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Redação
Luana Carvalho
Luana Carvalho

ESPECIAL

Estive nas cidades de Jaru e Ariquemes produzindo reportagem especial sobre feminicídio. Nitidamente se percebe que a violência contra a mulher é igual em todo o lugar, apenas muda o endereço das vítimas.

CASOS

Conversei com duas famílias que vivenciaram tragédias semelhantes. Tiveram parte de suas vidas arrancadas por gente desumana, estúpida, que considera a vida como “tanto faz”.

INVISÍVEL

O mais incrível é que em ambos os casos, os criminosos eram “monstros” invisíveis aos olhos das vítimas. Dedicadas ao trabalho e à família, elas ignoravam a possibilidade de qualquer tipo de violência.

APOIO

Aliás, as duas mulheres eram mães de crianças de relações anteriores e acreditavam que seus novos companheiros poderiam ser a estrutura que necessitavam para dar educação e conforto  aos filhos.

DECEPÇÃO

Estavam enganadas. Assim que passaram a viver sob o mesmo teto com os companheiros, começaram a surgir problemas como implicância dos maridos com tudo que as crianças faziam.

FIM

Cansadas com a situação e já percebendo que nada poderia melhorar, resolveram terminar as relações. Os maridos questionaram, mas aparentemente não teria havido nem briga ou violência nas despedidas.

CRIMES

Dias depois, os inimigos silenciosos voltaram e resolveram a rejeição das vítimas da maneira mais cruel. Uma foi assassinada a socos e pauladas e a outra vítima levou mais de 20 facadas.

VIOLÊNCIA

Nos dois casos, as vítimas estavam em casa sozinhas. Cenário propício para atuação dos assassinos, conforme definido pelas duas promotoras do Ministério Público que atuaram nos casos.

INDIFERENTES

O ato dos criminosos lembra a frieza dos psicopatas, que são incapazes de formar vínculos emocionais ou sentir empatia real com os outros, embora muitas vezes tenham personalidades sedutoras ou mesmo charmosas. As promotoras me pontuaram justamente essa condição.

Reprodução/Internet

FRIEZA 2

As promotoras do MP, Natálie de Carvalho Maranhão e Tereza Maia Cotta, me disseram que os assassinos jamais teriam despertado em suas vítimas qualquer condição que merecesse desconfiança delas quanto à possível violência extrema.

Divulgação/Coluna Espaço Aberto 

FRIEZA 3

“Esses são os mais perigosos e traiçoeiros”. Eles sempre demonstraram um perfil comedido em relação à violência, conseguiram conquistar a confiança das vítimas, o que permitia uma aproximação sem desconfiança ou medo por parte das mulheres”, destaca a Promotora Natálie.

Divulgação/Coluna Espaço Aberto 

FRIEZA 4

As vinganças teriam sido atos praticados com muita naturalidade. “Os criminosos em nenhum momento pensaram nos filhos das vítimas e demais familiares. Tudo que queriam era “exterminar”  as responsáveis pela ação de rejeição”, enfatiza a promotora Tereza Cotta.

Divulgação/Coluna Espaço Aberto 

NORMAL

Cabe destacar que a rejeição das vítimas aos ex-maridos era completamente justificável. Afinal, são raras as mães que permitem o desprezo à seus filhos em troca de amor doente.

IMPLACÁVEL

As vidas das vítimas já se foram, a dor das famílias será eterna, mas em meio a desgraça sem limites, um acalento. As promotoras do MP conseguiram condenações que somadas chegam a 98 anos de prisão.

JARU

No caso envolvendo a vítima de Jaru, morta a socos e pauladas, que morava na cidade de Monte Negro quando ocorreu o crime, o assassino foi condenado a 58 anos de prisão.

JARU 2

“A gente sabe que não vai ficar preso todo esse tempo, mas a Justiça foi feita e ele ainda um dia vai responder à Justiça de Deus pela covardia praticada contra minha filha”, diz a mãe com voz embargada pela dor e a saudade.

Divulgação/Coluna Espaço Aberto 

ARIQUEMES

No outro crime, o assassino foi condenado a 40 anos de prisão. “ Não há reparação pela vida que se foi da minha pequena, mas a condenação aconteceu e a Justiça cumpriu com seu papel”, suspira a mãe da vítima que passou a ser mãe também de 3 netos pequenos deixados pela filha.

Divulgação/Coluna Espaço Aberto 

NÚMEROS

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 aponta que o número de feminicídios em 2022 aumentou em 6.1%, no caso de Rondônia o aumento foi de 3.1%.

      Reprodução

SOCORRO

Em 2022, o número 190 recebeu quase duas chamadas por minuto denunciando violência doméstica.

Divulgação/Governo de Rondônia

MOBILIZAÇÃO

Apesar dos dados consistentes  e assustadores relativos aos feminicídios, especialistas destacam que é preciso sensibilização das autoridades policiais e de órgãos governamentais para a realização de políticas públicas que enfrentam o problema a partir das devidas dimensões que a situação exige.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários