Candidata a deputada federal pelo Podemos, juíza com 25 anos de atuação na área criminal coloca segurança pública entre as prioridades de sua campanha e defende leis mais duras, combate ao financiamento das organizações criminosas e fortalecimento das polícias
A segurança pública deixou há muito tempo de ser apenas uma preocupação dos governos estaduais. Para a população, ela está entre as questões que mais interferem diretamente na qualidade de vida, na liberdade de ir e vir e até na sensação de viver ou não em segurança. É nesse cenário que a juíza Euma Tourinho apresenta uma de suas principais bandeiras para a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.
Em mensagem de campanha divulgada nas redes sociais, Euma chama atenção para um ponto que nem sempre é compreendido pelo eleitor: o deputado federal não comanda as polícias estaduais, mas possui instrumentos importantes para influenciar a política de segurança do país.
E é justamente nessa área que a candidata pretende concentrar parte de sua atuação em Brasília.
LEIS MAIS DURAS
A primeira proposta apresentada por Euma é atuar pela aprovação de leis mais rigorosas contra o crime organizado.
A candidata defende uma legislação capaz de atingir estruturas criminosas que, segundo ela, não apenas praticam crimes, mas chegam a dominar territórios, submeter comunidades e estabelecer relações de corrupção para proteger seus negócios.
A discussão ganha relevância diante da expansão das organizações criminosas no país. Para Euma, não basta prender integrantes de uma organização se a estrutura permanece funcionando e rapidamente substitui aqueles que foram retirados de circulação.
ATACAR O CRIME PELO BOLSO
É, porém, na segunda proposta que a candidata apresenta aquilo que considera um dos principais diferenciais de sua experiência na magistratura: o combate ao crime a partir do dinheiro que sustenta suas operações.
Euma defende o desenvolvimento de mecanismos capazes de identificar a origem e o caminho dos recursos utilizados pelo crime organizado e também pelas redes de corrupção.
A lógica é atingir a estrutura financeira.
Uma organização criminosa precisa de dinheiro para comprar armas, transportar drogas, corromper agentes, adquirir imóveis, empresas e outros bens utilizados para lavar recursos. Interromper essa engrenagem pode ser tão importante quanto prender seus integrantes.
Euma afirma que seus 25 anos como juíza criminal lhe permitiram conhecer de perto os mecanismos utilizados por criminosos e as dificuldades enfrentadas pelo sistema de Justiça.
POLÍCIA PRECISA DE ESTRUTURA
A terceira frente anunciada pela candidata é o fortalecimento das forças policiais.
Euma defende investimentos em infraestrutura, equipamentos, tecnologia e inteligência, além da valorização dos profissionais de segurança.
Para ela, uma polícia preparada e equipada não representa simplesmente aumento de despesa pública, mas investimento na proteção da sociedade.
A proposta, contudo, passa necessariamente pela articulação com os governos responsáveis pela execução das políticas de segurança e pela capacidade de Brasília de destinar recursos, aperfeiçoar programas nacionais e criar mecanismos de cooperação entre União e estados.
EXPERIÊNCIA COMO DIFERENCIAL
É justamente a experiência profissional que Euma pretende transformar em argumento eleitoral.
Depois de 25 anos na magistratura criminal, ela chega à disputa afirmando conhecer não apenas o resultado final do crime, mas também parte dos mecanismos que permitem que organizações criminosas continuem funcionando.
Sua proposta, portanto, procura deslocar o foco do debate: não mirar somente o criminoso que aparece na ponta, mas também quem financia, estrutura, protege e lucra com a atividade criminosa.
É uma abordagem que coloca dinheiro, inteligência e legislação no centro da estratégia.
O DESAFIO É TRANSFORMAR DISCURSO EM RESULTADO
A segurança pública deverá ser um dos grandes temas das eleições de 2026. E propostas nessa área certamente encontrarão espaço entre eleitores preocupados com violência, tráfico de drogas, corrupção e avanço das organizações criminosas.
Mas existe uma diferença importante entre apresentar uma boa proposta e conseguir transformá-la em política pública.
Euma terá, se eleita, de enfrentar justamente esse desafio: transformar sua experiência profissional em capacidade legislativa, construir alianças, aprovar projetos e, principalmente, conseguir recursos para que as medidas defendidas saiam do discurso eleitoral.
A candidata resume sua posição afirmando que “o dinheiro público é sagrado” e que “a segurança não é negociação”.
Resta agora ao eleitor avaliar se a experiência de uma magistrada criminal pode se transformar em uma atuação parlamentar capaz de produzir mudanças concretas.
Em um país onde o crime organizado cada vez mais se profissionaliza, talvez a pergunta mais importante da eleição não seja apenas quem promete combater o crime.
É preciso saber quem tem uma estratégia para desmontar a estrutura que faz o crime continuar funcionando.
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