A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados rejeitou proposta que pretende proibir a produção, a utilização, o armazenamento e a comercialização de bombas de fragmentação ou munições cluster (PL 3228/12) no Brasil.
Esses armamentos, ao serem acionados, têm como característica a fragmentação em diversas outras partes explosivas, ampliando a área atingida e a letalidade do ataque.
Autor do projeto, o deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR) argumenta que a proibição contribuiria para evitar mortes de civis mesmo após o período de conflitos armados, já que as munições cluster têm capacidade para gerar explosivos ativos na região utilizada.
Por outro lado, o relator no colegiado, deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP), defendeu a rejeição do projeto por considerar que ele fere interesses nacionais sem necessariamente conseguir evitar o uso desse tipo de armamento.
As munições cluster têm sido usadas desde o início dos anos 1990 em diversos conflitos. Entretanto, uma convenção assinada por 113 países em 2008 passou a proibir esse tipo de munição. O Brasil, um dos principais produtores da tecnologia, não aderiu ao documento.
Países fabricantes
“Nações como Estados Unidos, Rússia, China, Índia e até vizinhos nossos como a Venezuela e a Argentina não assinaram ou ratificaram tratados nesse sentido. A questão que se impõe é: qual o resultado prático de se proibir o Brasil de produzir esse tipo de armamento se um potencial comprador poderia adquiri-lo junto a outros países?”, disse o relator.
Segundo Fonteyne, a indústria bélica, além da importância estratégica, está também envolvida com o desenvolvimento de tecnologia. “A aprovação da proposição em nada alteraria a realidade no que tange ao risco oferecido a vidas civis, com o único efeito de prejudicar a indústria bélica nacional”, acrescentou.
Tramitação
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O projeto foi rejeitado, anteriormente, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.
Câmara Retrospectiva: deputados aprovaram repasse de parte da arrecadação com bets para a Polícia Federal
Câmara Projeto permite bloqueio imediato de bens em suspeita de fraude financeira
Câmara Projeto cria modalidade de transição de cuidados no SUS para evitar reinternações
Câmara Projeto cria marco nacional para reconhecer direitos da pessoa idosa
Câmara Projeto reconhece o futebol como patrimônio cultural imaterial do Brasil
Câmara Projeto exige audiência antes da soltura de agressor de mulher