Diabetes e pressão alta são as principais causas de doença renal crônica no Brasil, e as duas também aparecem associadas à doença na gengiva. Faz sentido, portanto, perguntar como está a saúde da boca de quem tem os rins comprometidos, e uma pesquisa brasileira trouxe respostas importantes.
O estudo foi feito em um hospital universitário de Porto Alegre e avaliou 139 pacientes com doença renal crônica que faziam acompanhamento com o médico especialista em rins, o nefrologista, mas ainda não estavam em diálise. Os pesquisadores examinaram a gengiva de cada um e compararam com o estágio da doença nos rins, que vai de 1 a 5. O estágio 5 é o mais avançado.
Os resultados foram ajustados para fatores como sexo, cigarro, uso de vitamina D, atividade física e tempo de tratamento. Quem tinha periodontite grave, a forma mais avançada da inflamação crônica da gengiva, apresentou chance cerca de 2,8 vezes maior de estar no estágio 4 e cerca de 3,4 vezes maior de estar no estágio 5, em comparação com quem não tinha periodontite grave.
Um achado que conversa com a literatura internacional
Revisões que juntaram estudos de vários países também encontraram associação. Uma de 2023, com 17 estudos, chegou a chance cerca de 2,4 vezes maior de doença renal crônica entre pessoas com periodontite. Outra, de 2019, chegou a 1,6 vez. O estudo brasileiro, com amostra menor, aponta na mesma direção.
Como gengiva e rins foram avaliados no mesmo momento, a pesquisa mostra associação e não indica qual condição veio primeiro. A doença renal avançada altera o metabolismo dos ossos, enfraquece as defesas do corpo e reduz a saliva, o que favorece a doença na gengiva; a inflamação da gengiva, por sua vez, soma-se à carga inflamatória do organismo. A relação pode correr nos dois sentidos.
A boca no cuidado do paciente renal
Pessoas com doença renal crônica formam um grupo em que a saúde bucal merece acompanhamento regular, por motivos que incluem a prevenção de infecções, a preparação para um eventual transplante e a qualidade de vida. É um campo em que dentista e nefrologista ganham muito trabalhando juntos. A avaliação e a conduta cabem aos profissionais que acompanham cada caso.
Dr. Fernando Costa Jr.
Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692. Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado.
REFERÊNCIAS
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