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Brasil Maio Laranja

O silêncio que protege agressores e condena vítimas

Entre o silêncio e a omissão, milhões de crianças seguem invisíveis, esperando que a sociedade troque discursos por coragem, proteção e ação real.

18/05/2026 08h00
Por: Redação Fonte: Redação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Enquanto campanhas coloridas tomam as redes sociais durante o Maio Laranja, uma pergunta incômoda precisa ser feita: até quando a sociedade vai tratar o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes como algo simbólico, e não como uma urgência absoluta?

O Brasil ainda convive com números alarmantes de violência sexual infantil. Mas o que mais assusta não está só nas estatísticas, está no silêncio que se repete dentro de casas, escolas, igrejas e instituições. Na maioria das vezes, o agressor não é um desconhecido. É alguém próximo, alguém em quem a criança confia. Isso torna tudo ainda mais doloroso, porque o crime se esconde atrás de laços afetivos e da omissão coletiva.

O Maio Laranja não pode se resumir a laços, hashtags ou discursos prontos. É preciso encarar a realidade com coragem: existe uma falha estrutural na forma como o país protege suas crianças. Falta denúncia, falta acolhimento, falta preparo e, muitas vezes, o que sobra é negligência.

Quantas vezes uma criança tentou falar e não foi levada a sério? Quantas vezes sinais claros foram ignorados para evitar “escândalo”? Quantas famílias escolheram o silêncio em vez da verdade? Essa decisão não é neutra; ela protege o agressor e deixa a vítima sozinha com uma dor que deveria ser responsabilidade de todos nós.

Especialistas alertam que o trauma do abuso não termina no momento em que acontece. Ele pode acompanhar a vítima por anos, afetando sua autoestima, suas relações e sua saúde mental. Quando não há escuta, o sofrimento se aprofunda. Quando não há justiça nem acolhimento, a violência se transforma em uma ferida que insiste em não cicatrizar.

É preciso falar com firmeza porque a realidade já é dura demais. Não basta apenas sensibilizar, é necessário responsabilizar. Denunciar não é destruir famílias, é impedir que vidas sejam destruídas em silêncio. Proteger crianças precisa estar acima de qualquer conveniência social.

O Maio Laranja deveria incomodar mais. Deveria provocar reflexão de verdade, não apenas cumprir protocolo. Enquanto o tema continuar sendo tratado como tabu, a violência seguirá encontrando espaço para acontecer.

A infância não pode esperar. E o silêncio, nesse caso, não é apenas omissão; é cumplicidade.

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