Enquanto campanhas coloridas tomam as redes sociais durante o Maio Laranja, uma pergunta incômoda precisa ser feita: até quando a sociedade vai tratar o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes como algo simbólico, e não como uma urgência absoluta?
O Brasil ainda convive com números alarmantes de violência sexual infantil. Mas o que mais assusta não está só nas estatísticas, está no silêncio que se repete dentro de casas, escolas, igrejas e instituições. Na maioria das vezes, o agressor não é um desconhecido. É alguém próximo, alguém em quem a criança confia. Isso torna tudo ainda mais doloroso, porque o crime se esconde atrás de laços afetivos e da omissão coletiva.
O Maio Laranja não pode se resumir a laços, hashtags ou discursos prontos. É preciso encarar a realidade com coragem: existe uma falha estrutural na forma como o país protege suas crianças. Falta denúncia, falta acolhimento, falta preparo e, muitas vezes, o que sobra é negligência.
Quantas vezes uma criança tentou falar e não foi levada a sério? Quantas vezes sinais claros foram ignorados para evitar “escândalo”? Quantas famílias escolheram o silêncio em vez da verdade? Essa decisão não é neutra; ela protege o agressor e deixa a vítima sozinha com uma dor que deveria ser responsabilidade de todos nós.
Especialistas alertam que o trauma do abuso não termina no momento em que acontece. Ele pode acompanhar a vítima por anos, afetando sua autoestima, suas relações e sua saúde mental. Quando não há escuta, o sofrimento se aprofunda. Quando não há justiça nem acolhimento, a violência se transforma em uma ferida que insiste em não cicatrizar.
É preciso falar com firmeza porque a realidade já é dura demais. Não basta apenas sensibilizar, é necessário responsabilizar. Denunciar não é destruir famílias, é impedir que vidas sejam destruídas em silêncio. Proteger crianças precisa estar acima de qualquer conveniência social.
O Maio Laranja deveria incomodar mais. Deveria provocar reflexão de verdade, não apenas cumprir protocolo. Enquanto o tema continuar sendo tratado como tabu, a violência seguirá encontrando espaço para acontecer.
A infância não pode esperar. E o silêncio, nesse caso, não é apenas omissão; é cumplicidade.
Apelo Conselhos de Medicina pedem a adoção de medidas urgentes para a preservação da ordem no País
Artigo O estelionatário e os bilhões: por que algumas condutas recebem respostas tão diferentes?
Editorial O Estado ausente, a morte presente
Editorial Quando a ambulância deixa de salvar vidas
Saúde Saúde vai monitorar cenário sanitário na fronteira com a Venezuela
Notícias do dia Sicoob Fronteiras dá posse aos novos membros do Conselho Fiscal