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A outra eleição começou: quem vai comandar a nova Assembleia de Rondônia?

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

07/10/2026 07h00
Por: Redação Fonte: Redação
Foto: Redes Sociais / Redação
Foto: Redes Sociais / Redação

BASTIDORES
As urnas mal foram fechadas e uma nova eleição já começou em Rondônia. Não terá campanha nas ruas, santinhos, comícios ou horário eleitoral. 

FECHADO
O universo de eleitores agora é muito menor: apenas 24 deputados decidirão quem comandará a Assembleia Legislativa a partir de 2027.

COMPLEXIDADE
E a disputa promete ser muito mais complexa do que simplesmente contar quantos deputados cada partido elegeu.

GOVERNO
O PL, partido do governador eleito Marcos Rogério, chega com sete cadeiras e será a maior bancada da nova Assembleia. 

GOVERNO 2
É uma força considerável e suficiente para colocar o partido no centro de qualquer composição para a Mesa Diretora.

DETALHE
Mas sete não são 13. Portanto, se o PL quiser também a Presidência da Assembleia, terá necessariamente de conversar com outras bancadas. É justamente aí que começa o jogo.

REDANO QUER CONTINUAR?
Alex Redano entra naturalmente nessa conversa. Atual presidente, conhece como poucos os caminhos internos da Assembleia, mantém relações construídas durante anos e tem a vantagem de já ocupar a cadeira que estará em disputa.

Foto: Reprodução / ALE-RO

OBSERVAÇÃO
Uma eventual permanência de Redano por mais um biênio, entretanto, terá de passar pela nova realidade política produzida pelas urnas.

OBSERVAÇÃO 2
O PL cresceu, e dificilmente aceitará assistir de longe à formação da Mesa Diretora.

INTERESSE
A questão é saber se o partido reivindicará a Presidência ou se utilizará suas sete cadeiras para construir uma composição que lhe assegure espaços importantes e uma relação confortável entre Legislativo e o futuro governo Marcos Rogério.

ALAN QUEIROZ 
Caso o PL decida colocar um nome diretamente na disputa, Alan Queiroz aparece com credenciais importantes.

Foto: Reprodução / ALE-RO

TRÂNSITO
Alan já ocupa a primeira-secretaria da atual Mesa Diretora, foi reeleito com 20.836 votos e tem uma característica especialmente importante numa eleição interna: bom trânsito entre os colegas.

CORDIALIDADE
É um parlamentar que evita grandes polêmicas, conversa com diferentes grupos e não construiu sua atuação política baseada em confrontos dentro da Casa.

IMPORTÂNCIA
Numa eleição em que cada voto precisa ser negociado individualmente, isso conta muito.

IMPORTÂNCIA 2
Alan poderia representar, portanto, uma alternativa do PL sem necessariamente transformar a eleição da Mesa numa queda de braço entre governo e Assembleia. Mas ele está longe de ser o único nome.

CRISPIN CORRE POR FORA
Ismael Crispin também precisa entrar nessa conversa. Reeleito com 24.846 votos, Crispin mantém bom relacionamento com diferentes setores da Assembleia e circula com facilidade entre os gabinetes.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

ALINHAMENTO
Seu partido, o PP, terá apenas duas cadeiras. Por isso, uma eventual candidatura não poderia nascer da força partidária. Teria necessariamente de surgir de uma grande composição.

ALINHAMENTO 2
E talvez justamente aí esteja sua possibilidade de crescimento: tornar-se um nome de convergência caso os grupos maiores não consigam chegar a um entendimento.

E TEM LUÍS DO HOSPITAL
Outro deputado que merece ser observado nessa movimentação é Luís do Hospital. Reeleito pelo Novo com 20.718 votos, Luís chega ao segundo mandato e também é visto com simpatia por colegas dentro da Assembleia. 

Foto: Reprodução / ALE-RO

BOA RELAÇÃO
Sua atuação sem grandes confrontos e a boa interlocução que mantém na Casa podem colocá-lo nas conversas sobre a futura Mesa Diretora. Não significa necessariamente que Luís esteja trabalhando hoje para ser candidato a presidente.

QUALIDADES
Significa que, numa eleição interna marcada por composições, nomes com baixa rejeição e capacidade de diálogo podem ganhar importância rapidamente.

SURPRESA
E eleição de Mesa tem dessas coisas: muitas vezes, o nome que começa a negociação não é necessariamente aquele que termina sentado na cadeira principal.

LAERTE / MARCOS ROGÉRIO
Talvez o personagem mais interessante dessa equação seja Laerte Gomes. Primeiro porque chega politicamente muito fortalecido. Laerte foi simplesmente o deputado estadual mais votado de Rondônia nesta eleição, com 32.241 votos.

ESTEVE LÁ
Segundo porque já presidiu a Assembleia, atualmente ocupa a primeira vice-presidência e conhece profundamente os mecanismos internos da Casa.

AMIZADE
Mas existe um terceiro componente que não pode ser desprezado: sua relação com Marcos Rogério. Laerte e o governador eleito têm uma relação política antiga e próxima. Há quatro anos, quando Marcos Rogério disputou o Governo de Rondônia em 2022, Laerte esteve ao seu lado.

PÚBLICO
Não foi apoio silencioso. Laerte participou publicamente da campanha de Marcos Rogério, percorreu municípios defendendo sua candidatura e esteve em atos eleitorais ao lado de lideranças que trabalhavam pela eleição do então senador.

POSSIBILIDADE
Portanto, quando se discute a futura relação entre Assembleia e Governo, seria um erro analisar Laerte apenas como o deputado mais votado. Existe uma relação política anterior com o futuro governador.

RESISTÊNCIA
Isso pode pesar. Por outro lado, Laerte também carrega uma dificuldade que não pode ser ignorada. Nos bastidores, existem resistências ao seu nome entre parlamentares mais antigos que conviveram com ele quando presidiu a Assembleia.

PODE MUDAR?
Até onde essa resistência permanece e quantos votos ela representa é outra história. E será justamente isso que as conversas dos próximos meses mostrarão.

A PRESIDÊNCIA NÃO SERÁ DECIDIDA PELO PARTIDO MAIOR
A nova Assembleia começa a ganhar, portanto, um desenho bastante interessante. Alex Redano representa a continuidade.

CANDIDATOS
Alan Queiroz pode representar a força da maior bancada e do partido do governador. Ismael Crispin surge pela capacidade de diálogo.

CANDIDATOS 2
Luís do Hospital aparece como outro parlamentar bem relacionado e com baixa exposição a conflitos internos. E Laerte Gomes chega como o mais votado, ex-presidente da Casa e, ainda por cima, alguém que possui uma relação política construída há anos com Marcos Rogério.

CÁLCULO
São ativos diferentes dentro da mesma disputa. Mas existe uma matemática que ninguém conseguirá contornar. Quem quiser presidir a Assembleia terá de construir maioria entre os 24 deputados.

ALIANÇAS
E é justamente por isso que talvez seja precipitado imaginar que o PL, simplesmente porque possui sete parlamentares e elegeu o governador, automaticamente comandará também o Legislativo.

ALIANÇAS 2
O partido terá enorme poder de negociação. Mas precisará de aliados. Da mesma maneira, dificilmente alguém conseguirá construir uma candidatura competitiva à Presidência ignorando uma bancada de sete deputados.

MARCOS ROGÉRIO IRÁ PARTICIPAR?
Existe ainda uma pergunta que deverá aparecer cedo ou tarde: Marcos Rogério entrará diretamente nessa articulação ou deixará os deputados construírem a solução internamente?

CAMINHOS
Porque existem vários caminhos. O governador eleito pode apoiar um nome do próprio PL. Pode considerar conveniente uma composição com Redano. Pode encontrar em Laerte, seu aliado de 2022, uma possibilidade de entendimento.

GOVERNANÇA
Ou pode simplesmente trabalhar pela formação de uma Mesa que lhe assegure governabilidade, independentemente de quem ocupe a cadeira de presidente. Essa talvez seja a discussão mais importante. Governador não precisa necessariamente ter um correligionário presidindo a Assembleia. Precisa ter capacidade de diálogo com quem a preside.

POLÍTICA DE GABINETE
E ninguém deve olhar apenas para a Presidência. Uma composição envolve primeira-secretaria, vice-presidências, demais secretarias, comissões estratégicas e outros espaços importantes dentro da estrutura legislativa. É nesse quebra-cabeça que os 13 votos serão construídos. Redano tem experiência. Alan tem o PL. Crispin tem trânsito. Luís do Hospital tem boa interlocução. Laerte tem votação, experiência e uma antiga relação política com o governador eleito.

CONTATOS
Agora começa a fase em que telefonemas valerão mais do que discursos e conversas reservadas poderão valer mais do que declarações públicas. As urnas escolheram os 24. Agora começa outra eleição — a eleição dos 13.

FRASE
Na eleição da Mesa, partido ajuda; trânsito entre os gabinetes decide.

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